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Na era da pós-verdade, falar o mais próximo da verdade

Por Agnaldo Santos e Herick Rios em 15/01/2021 às 09:57:13

Aqui estou eu, com o desafio de escrever, coisa que sempre fiz, no entanto, desta vez, escrever para um site de notícias. Quando provocado a fazê-lo surgiram as inquietações: Escrever o que? Escrever para quem? Quando me deparei com uma entrevista do filósofo alemão Habermas, ao jornal espanhol El Pais e, nela o germânico afirmava: "não pode haver intelectuais comprometidos, se não há leitores a quem continuar alcançando com os argumentos", longe de mim a pretensão de ser um intelectual, às sombras do que dissera Jürgen Habermas¹. A citada entrevista traz claras tratativas acerca do leitor internauta dos nossos dias, emprenhados de variadas e, por muitas vezes, duvidosas informações. Daí que decidi escrever de tudo e para todos os leitores do Blog BR324Notícias.

"É preciso que haja quem fale, para que haja quem escute", diz o bordão missionário. Com este bordão, atrevo-me a me opor ao Mestre alemão. Nestes tempos de pós-verdades, é preciso descontruir a verdade artificial e desprovida de verdade que impera na arena das redes sociais, muito popularmente conhecida por fakenews (palavra da moda no momento).

Mas, quando digo que as fakenews (fofocas ou notícias distorcidas, num bom Português) é a palavra do momento, não significa dizer que seja um evento novo. As fakenews sempre existiram e aqui pretendo destacar duas grandes fakenews da história, um primeira é o Mito da Caverna escrito pelo filosofo Grego Platão (como afirma o Professor Lênio Streck²) e a outra, a tentação de Cristo no deserto.

Começaremos pela segunda, a tentação de Cristo, sem a intensão de confrontar a crença dos leitores, mas sim, com o objetivo de esclarecer os elementos de fakenews nela contidos.

O cenário está narrado no livro do Evangelista Lucas, no capitulo 4, versus 1-13 (podendo ser encontrado na versão de outros Evangelistas), num breve relato: Jesus voltara do grande momento de seu batismo no rio Jordão, guiado ao deserto pelo Espírito que o enchera, lá permanece por quarenta dias sem comer ou beber, quando aparece seu maior opositor, Satanás (segundo a crença dos cristãos) que diante daquela fraqueza física aparente, faz a ele três propostas: a primeira que invocasse o poder de Deus e transformasse as pedras em pães; na segunda, o desafiador o leva ao alto do monte e, mostrando-lhes todos os reinos da terra, os oferecer se Ele, se prostasse e o adorasse e, por derradeiro, que o tentado se atirasse do alto do monte à espera que Seu Pai enviasse anjos do céu para Lhe socorrer. Ora, onde está caracterizada a fakenews? Deve estar se perguntando o leitor. Respondo: primeiro, pedras não são pães, segundo os reinos não pertenciam a ninguém senão ao Deus de Israel (na crença judaica) e por último, o suicídio era considerado o maior dos pecados, capaz de afastar o homem de seu Criador (na crença judaica).

A primeira das grandes fakenews e, talvez a maior, o Mito da Caverna, é uma narração da filosofia grega, segundo a qual, havia um grupo de homens aprisionados em uma caverna que percebia os movimentos externos através de frestas abertas nas pedras. Mantidos na escuridão não conheciam a luz, estes homens eram, portanto, guiados pelos sons e sombra que sentiam e viam, inertes da parede onde estavam acorrentados e cegos pela escuridão. Ora, do ponto morto onde se encontravam, criam que tudo o que lá fora se passava era a verdade das coisas. Até que um dentre eles decide quebrar as correntes e sair, se deparando com uma luz intensa que lhe ofuscara a visão, mas, que lhe permitia ver o mundo real que existia ao redor da caverna. Este fugido então decide voltar ao interior da caverna e alertar aos seus de que, nada que eles viam ou ouviam eram a verdade das coisas e, que o que vira fora da caverna, foi tão belo e intenso, ao ponto de abrir-lhe a visão. Diz o Mito de Platão que seus amigos da prisão se insurgem contra ele e, o matam.

Nesta era de pós-verdades, onde qualquer acontecimento e tomado como notícia e, pouco se está preocupado em checar a sua real intensão ou se há, o mínimo de proximidade com a verdade, os exemplos tomados foram para ilustrar que as fakenews necessitam de terreno (cérebro) infértil ou vazio para se disseminar e, quando alcançado uma maciça proliferação, são capazes de produzir efeitos danosos, tanto nas sociedade, como exemplo disso estamos vendo a ascensão de governos totalitários que ameaçam a democracia ao redor do mundo, como nas relações humanas, com efeitos desastrosos, a exemplo da insurreição ocorrida nos Estado Unidos, na última semana, sob a falsa alegação de fraudo no processo eleitoral, que resultou na invasão do Capitólio cujo saldo foi de cinco pessoa mortas e a "maior democracia" do mundo fragilizado.

Ao Mestre Habermas peço-lhe as mais sinceras desculpas por discordar de sua mais celebre frase citada no início destas páginas, com não sou um intelectual, a partir desta semana, falarei aos leitores do Site de notícias BR324Notícias, com os quais quer contar com as impressões, avaliações e críticas ao que escreverei no semanário.

1. Jürgen Habermas é um filósofo e sociólogo alemão que participa da tradição da teoria crítica e do pragmatismo, sendo membro da Escola de Frankfurt. Dedicou sua vida ao estudo da democracia, especialmente por meio de suas teorias do agir comunicativo, da política deliberativa e da esfera pública.

2. Lenio Luiz Streck é um jurista brasileiro, conhecido principalmente por seus trabalhos voltados à filosofia do direito e à hermenêutica jurídica. É professor dos cursos de pós-graduação em Direito da Universidade do Vale do Rio dos Sinos e atua como advogado.

Antoniel Alves - Estudante do 8º Semestre do Curso de Bacharelado em Direito pela Universidade do Estado da Bahia - UNEB, possui formação livre em BACHARELADO EM TEOLOGIA pela FACULDADE TEOLÓGICA NACIONAL (conclusão 2015). Frequentou o Brighton Institute of Languages (1993-1996) nos cursos de Inglês e Espanhol. Foi aluno do Curso de Letras Inglês da UNEB (por 4 semestres 2008-2010), frequentou o Curso de Bacharelado em Administração Pública pela Universidade Federal do Vale do são Francisco (UNIVASF), (por 4 semestres 2012-2016). Atualmente atua na Secretaria de Educação do Município de Capim Grosso Estado da Bahia. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Línguas Estrangeiras Modernas Inglês e Espanhol. Fluente em Inglês e Espanhol, domina Italiano e Francês para fins de leitura e interpretação de textos. Atuou como articulado junto ao UNICEF Brasil, com o Programa Selo UNICEF Município Aprovado (2017-2020).

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