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Covid-19: ex-ministros da Saúde apontam falhas na condução da vacinação pelo governo

Por Agnaldo Santos e Herick Rios em 20/01/2021 às 21:37:14
Nelson Teich, Arthur Chioro, Alexandre Padilha, José Gomes Temporão e Humberto Costa participaram de live com empresária. Lista inclui ministros dos governos Bolsonaro, Lula e Dilma. Ex-ministros da Saúde demonstraram preocupação e apontaram, nesta quarta-feira (20), falhas de condução da vacinação contra a Covid-19 por parte do governo federal. As declarações foram dadas durante uma live com a empresária Luiza Helena Trajano.

Participaram da transmissão os ex-ministros da Saúde:

Humberto Costa e José Gomes Temporão, que chefiaram a pasta nos governos Lula;

Alexandre Padilha e Arthur Chioro, da gestão Dilma Rousseff; e

Nelson Teich, que passou menos de um mês à frente da pasta no governo Bolsonaro, já durante a pandemia.

Todos os ex-ministros, que também são médicos, disseram que pretendem tomar a vacina contra Covid-19 assim que as doses estiverem disponíveis para seus grupos.

Ex-ministro de Bolsonaro, Nelson Teich afirmou que a decisão de deixar o cargo não foi motivada por pressão do governo pela recomendação de remédios sem comprovação científica. Teich creditou a saída à falta de "autonomia" e de "legitimidade" para definir políticas públicas em meio à crise sanitária – a mesma justificativa afirmada à GloboNews em outubro (veja vídeo abaixo).

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O médico também disse estar preocupado com a capacidade do Brasil de implantar um plano de vacinação eficiente.

"Tem que ter estratégia, planejamento, liderança, coordenação, informação, execução boa e comunicação. Se você falhar em alguma dessas dimensões, principalmente se falhar muito, vai ter muita dificuldade. A Covid é uma doença que sobrecarregou todos os sistemas de saúde do mundo e vai sobrecarregar o Programa Nacional de Imunização também”, disse Teich.

Em outro momento, o ex-ministro de Bolsonaro diz que "faz diferença" que o ministro seja da área de saúde. "Porque essa pessoa consegue enxergar a importância do momento. Uma pessoa leiga, não", diferenciou.

Atualmente, o Ministério da Saúde é comandado pelo general do Exército Eduardo Pazuello, que não tem formação na área médica.

Erros do governo

Ex-ministro do governo Dilma, o médico sanitarista Arthur Chioro disse que o governo federal falhou ao apostar "todas as fichas em uma única vacina" – a de Oxford, desenvolvida pela AstraZeneca e alvo de uma parceria com Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

“Se nós por exemplo tivermos só a vacina do Butantan, que tem uma capacidade diária de 1 milhão de doses, demoraremos 440 dias para vacinar a população. Nós desdenhamos do Fundo Global", disse Chioro.

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"Poderíamos ter reservado até 212 milhões de doses do Fundo Global do consórcio liderado pela OMS. Por questões ideológicas, uma miopia, uma estreiteza, um descompromisso, nós a reservamos no final da fila para apenas 10% da população”, continuou.

Chioro classificou a decisão de apostar em uma única vacina como um "erro crasso".

"Jamais como um país superpopuloso poderíamos ter feito um erro tão crasso. Não conseguiremos cobertura vacinal suficiente para o controle da pandemia antes do final do ano que vem o que colocará o Brasil no fim da fila da retomada da normalidade, com custos políticos, sociais, econômicos e sanitários terríveis”, completou o ex-ministro.

José Gomes Temporão, que fez parte do governo Lula, disse que o Brasil se viu diante de uma fábrica de fake news liderada pelo presidente Jair Bolsonaro, “vendendo que existem medicamentos para o tratamento precoce, fator importante para que pessoas largassem medidas de prevenção, deixassem de usar máscara, se aglomerassem”.

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"Instituições internacionais, Butantan e Fiocruz deram sua resposta. Mas não temos horizonte de termos de disponibilização de doses para realizar grande campanha em período curto que reduza internações e número de mortes", lamentou o ex-ministro.

Temporão também teceu críticas à condução da política externa do governo em meio à pandemia, que teceu críticas à China, país que é um dos principais produtores de insumos para o enfrentamento ao novo coronavírus.

“O presidente ofendeu nosso povo irmão [da China]. O filho dele reiteradamente profere ofensas a esse país irmão. Diplomacia rasteira, agressiva, incompetente. Diplomacia na saúde desapareceu. A respeitabilidade que o Brasil tinha se evaporou por culpa do governo”, criticou.

Falhas na Anvisa

O senador Humberto Costa (PT-PE), ministro nos primeiros anos do governo Lula, apontou como falha o fato de a Anvisa ter recusado pedido para uso emergencial vacina Sputnik V, desenvolvida pela Rússia, e já aprovada para uso emergencial em países como Argentina, Bolívia, Venezuela e Paraguai. A Anvisa também negou, por ora, autorização para os testes clínicos da Sputnik V no Brasil.

“Temos que cobrar que a Anvisa rapidamente tome posição sobre vacinas que ela não quer analisar. Consócio Nordeste encomendou 55 milhões de vacinas produzidas pela Rússia. A Anvisa, na primeira reunião, não quis sequer admitir início fase de testes aqui no Brasil.

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"O Supremo tem que se impor. Se a Argentina tem uma agência de vigilância sanitária que reconhecemos como qualificada e estão vacinando com a Sputnik V, por que aqui no Brasil não podemos fazer?”, indagou o senador petista.

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, mais cedo nesta quarta, que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) preste informações sobre a análise de um pedido de uso emergencial da vacina Sputnik V, desenvolvida pela Rússia para o combate à Covid-19.

Lewandowski vai usar as informações a serem fornecidas pela agência para decidir sobre um pedido do governo da Bahia.

O estado requereu ao STF autorização para importar e distribuir vacinas que já tenham o aval de autoridades sanitárias estrangeiras e certificação da Organização Panamericana de Saúde (Opas), mesmo sem a liberação da Anvisa

Em outro momento da sua fala, Humberto Costa cobrou do governo uma campanha de comunicação para desmentir conteúdos falsos sobre vacinas que estão sendo propagados pelas redes sociais.

Fonte: G1

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